Friday, June 26, 2009

EUA: Governador admite adultério

O GOVERNADOR do estado norte-americano da Carolina do Sul, Mark Sanford, admitiu quinta-feira ter tido um caso extraconjugal com uma mulher na Argentina, uma revelação que poderá ter comprometido as suas hipóteses de entrar na corrida à nomeação do próximo candidato republicano à Casa Branca, segundo a Imprensa norte-americana.

Mark Sanford, 49 anos, não foi visto durante alguns dias na semana passada e não informou ninguém do seu paradeiro. Na segunda-feira, o seu gabinete declarou que o governador tinha ido percorrer o Appalachian Trail, um percurso pedestre famoso que atravessa a cordilheira dos Apalaches, no leste dos Estados Unidos. Mas a mulher do governador, Jenny, de 46 anos, disse que não sabia onde é que o seu marido se encontrava. Na quarta-feira, o político republicano assumiu que tinha estado na Argentina para se encontrar com uma mulher com quem tem uma relação extraconjugal há um ano.

“O que eu fiz foi errado. Ponto final. Fim da história”, disse Sanford aos jornalistas, na capital estadual. Não anunciou se irá ou não deixar o cargo que ocupa desde 2003 – foi reeleito em 2006 -, revelando apenas ter abandonado a Associação dos Governadores Republicanos. Jenny Sanford, que não assistiu à conferência de Imprensa do marido, anunciou em comunicado que o casal, que tem quatro filhos, está a separar-se.

Mark Sanford tornou-se conhecido a nível nacional quando criticou o plano de estímulo à economia da administração Obama, posicionando-se na corrida à nomeação do candidato presidencial republicano às eleições de 2012. O escândalo deverá ter acabado com as suas hipóteses de entrar nessa corrida e surge uma semana depois de outro pré-candidato, o senador do Nevada, John Ensign, ter também admitido um envolvimento extraconjugal.

“Circunstâncias pessoais verificadas na última semana encolheram em 30 por cento a primeira linha dos possíveis candidatos republicanos para 2012”, disse Phil Musser, um antigo director executivo da Associação de Governadores Republicanos.

Mas Sanford não foi apenas afectado por causa deste caso – que era conhecido da família há cinco meses e sobre o qual já tinham sido publicados rumores – mas também por ter desaparecido durante alguns dias, deixando ao abandono a cadeira do governador.

Existem também dúvidas sobre se Sanford teria assumido publicamente o romance se não tivesse se cruzado acidentalmente com um jornalista no aeroporto de Atlanta, quando regressava de Buenos Aires.

Fonte: Notícias

Monday, June 22, 2009

Fome matou mais de 100 pessoas no último ano

Moçambique tem populações que vivem em estado de fome crónica, situação que entre Março de 2008 e o mês homólogo deste ano causou a morte a 103 pessoas, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Moçambique é dos países lusófonos mais afectados pela fome. A segurança alimentar e energética será discutida na quinta-feira na conferência “Cooperação num Quadro Internacional de Desafio Energético e Alimentar”, uma iniciativa do Conselho Empresarial da CPLP (CE-CPLP), da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Económico e Cooperação (ELO) e do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT).

Dados recentes do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) moçambicano indicam que 450 mil pessoas passam actualmente por uma situação de carência alimentar no país.

“Esta situação de carência alimentar já provocou 103 óbitos” de Março do ano passado a Março deste ano, disse o director-adjunto dos Serviços Agrários do Ministério da Agricultura, Marcelo Chissaque, durante uma reunião do conselho consultivo do SETSAN.

Para a sua sobrevivência, as 450 mil pessoas dependem de apoio alimentar, que está a ser coordenado pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e pelo Ministério da Agricultura.

A situação de fome em Moçambique é mais crítica nas províncias de Tete e Zambézia, centro do país, Nampula, norte, bem como Gaza e Maputo, sul.

“Uma das razões desta insegurança é a falta de reservas alimentares. Algumas famílias chegam a passar quatro a cinco meses sem reservas alimentares”, afirmou o director-adjunto do Ministério da Agricultura.

A seca prolongada e as cheias cíclicas estão também entre as principais causas da insegurança alimentar crónica em Moçambique.

Devido à gravidade da situação de fome, o Governo moçambicano pondera a atribuição de um subsídio às famílias para a compra de alimentos nos locais onde haja disponibilidade de géneros alimentícios, acrescentou Marcelo Chissaque.

Este subsídio visa mitigar o impacto dos elevados preços dos produtos alimentares. Em certos casos, os preços desses produtos subiram 150 por cento desde Março de 2008, indicou o director-adjunto dos Serviços Agrários do Ministério da Agricultura.

Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que, só em África, vivem 24 milhões de pessoas em situação de subnutrição, sendo a subida dos preços dos bens alimentares uma das causas.

Fonte: O País online

Friday, June 19, 2009

Depois de Mubaze Jumari é a vez do Martin de Sousa Mondlane

Já imaginaram as consequências da dedicação de Mubaze Jumari e Martin de Sousa Mondlane no Notícias? Quem de facto procura protagonismo? Será o vítima do atentado ou aqueles que em vez de condenarem o acto atentetário e clamarem por uma investigação e pela justiça, pensam que o aproveitarão politicamente para o partido a que pertencem?

Martin de Sousa Mondlane, não quer espalhar propagandas dissuadindo aos moçambicanos quanto ao atentado à pessoa de Daviz Simango, Presidente do MDM. Martin de Sousa como quem diz que o atentado perpetrado por elementos da Renamo bem identificados, foi simulado por Daviz Simango, escreve o seguinte:

“Foi através do Hi5 que o Daviz me anunciou o “Atentado de Golpe” e me anunciou que a “democracia em Moçambique está cada vez mais a deteriorar-se, só você pode salvar Moçambique.”

Afinal qual é o problema de ter sido o Daviz a escrever aos amigos ao que lhe aconteceu em Nacala-Porto? Será difícil que o atentado tem o único objectivo de deteriorar a democracia? O que diz o próprio Presidente da Renamo, Afonso Dhlakama após o atentado não é suficiente para entender que é a democracia que está sendo ameaçada? Não foi aquilo antes um atentado à democracia, à liberdade?

Ora, foi no mesmo dia que Daviz mandou mensagem aos amigos, mas foi antes ou depois do acontecimento? A que horas Daviz escreveu aos amigos?

Na minha página a mensagem entrou as 19 h 34 min. A reportagem nos órgãos de informação diz que o atentado ocorreu por volta das 14 horas e imediatamente Daviz Simango foi levado pela polícia em protecção, a mesma que o escoltou à Cidade de Nampula. Antes, às 15 h 24 min, eu já tinha recebido a informação sobre o ocorrido directamente de um testemunha. Falo de que estava no local, na Zona dos Eucalíptos, veja aqui.

Martin de Sousa escreve ainda:

“Estou a tentar dizer que é fácil “entregar” o atentado ao Dhlakama e seus sequazes tendo em conta que, “visivelmente”, foram homens “identificados” como da Renamo que perpetraram o atentado; mas não seria idiotice pensar que, apesar daqueles actores, o atentado pode ter sido cozinhado noutras bandas e por outras cabeças que não de Dhlakama e seus sequazes, principalmente quando analisamos o aproveitamento político que o MDM e seu líder deram ao facto.”

Mas se compatriotas como Mubaze Jumari e Martin de Sousa Mondlane têm dúvidas sobre o ocorrido em Nacala-Porto, porquê não clamam primeiro por uma investigação que escrever suposições que mostram uma falta de espírito humanista e até certo modo ilibar os perpetradores do atentado? Porquê cometerem mais um atentado não só a Daviz, mas também aos nossos corações?

Ver também no Reflectindo:

Thursday, June 18, 2009

Martin de Sousa Mondlane

Contornos de uma conspiração teorizada

Por MARTIN DE SOUSA MONDLANE

Detesto violência. Abomino quem faz da violência um modo de vida. Abomino mais ainda quem use a violência para se projectar, aparecer, ou fazer passar a sua imagem/ideais. O assunto político de momento é o acto vil consubstanciado numa pretensa tentativa de assassinato protagonizada, alegadamente, por membros da Renamo a mando, ao que se diz, de Afonso Dhlakama.
Maputo, Sexta-Feira, 19 de Junho de 2009:: Notícias
Ando com a cabeça às voltas para perceber como se pode falhar na intenção de matar alguém, nas circunstâncias em que as coisas são nos dadas a conhecer.

Continuo a pensar que o fracasso de uma tentativa de assassinato, principalmente quando o tentador é um dos principais adversários, representa sempre um capital político forte. Atrai simpatias, solidariedade e pena.

A génese do MDM e da popularidade do seu líder está nesses sentimentos. Ao ser excluído da corrida eleitoral, Daviz Simango angariou simpatias e solidariedade das gentes da cidade da Beira. Daviz Simango foi acolhido pelas bases da Renamo e por muitos sectores beirenses quando foi desamparado por Afonso Dhlakama e seus sequazes.

É um facto que para os desafios que se avizinham, o expediente de coitadinho traído pela cúpula da Renamo não chega para atrair simpatias, solidariedade e apoios. É necessário um forte trabalho ideológico. Quando este se mostra insuficiente há que recorrer a outros. E porquê não um atentado?

Um atentado reagrupa os grupos de solidariedade. Um atentado choca. Um atentado mobiliza. As primeiras pessoas que neste contexto se aperceberam disso foram os próprios membros do MDM. Foi o próprio Daviz. Trato-o assim porque é meu amigo no Hi5. Foi através do Hi5 que ele me anunciou o sucedido, no mesmo dia em que os factos ocorreram. Foi através do Hi5 que o Daviz me anunciou o “Atentado de Golpe” e me anunciou que a “democracia em Moçambique está cada vez mais a deteriorar-se, só você pode salvar Moçambique.”

É evidente como eu faria para salvar Moçambique.

Tenho discutido este assunto com vários amigos e alguns são unânimes em dizer que de todo este cenário, só uma parte saiu a ganhar. Não me parece difícil de adivinhar qual.

Portanto, mais do que lamentar o sucedido, o MDM tratou de capitalizar o máximo possível o sucedido em Nacala. Tratou de mobilizar as massas para a sua causa.

Estarei a tentar dizer que o atentado não aconteceu? Não, de todo não. Estou apenas a sugerir que olhemos para este acontecimento de outros ângulos. Estou a seguir um trilho deixado pelos acontecimentos anteriores ao atentado, os dados obtidos após o atentado e o efeito balão de oxigénio que este representa.

Estou a tentar dizer que é fácil “entregar” o atentado ao Dhlakama e seus sequazes tendo em conta que, “visivelmente”, foram homens “identificados” como da Renamo que perpetraram o atentado; mas não seria idiotice pensar que, apesar daqueles actores, o atentado pode ter sido cozinhado noutras bandas e por outras cabeças que não de Dhlakama e seus sequazes, principalmente quando analisamos o aproveitamento político que o MDM e seu líder deram ao facto.

Mas seja como for, seja quem for que preparou e executou é de todo condenável. Repugna-me tanto a ideia de se “forjar” um atentado como instrumento mobilizador com a ideia de, tendo sido a Renamo, pugnar pela eliminação física ou, em última análise, pela intimidação dos concorrentes ao invés de eliminá-los e ou amedrontá-los com planos e ideias convincentes que demonstrem uma Renamo preocupada com a Nação.

Em comentário a carta à moda antiga que o Mapengo escreveu a Ivone Soares acerca da “Teoria de Culpabilizar os Outros”, alguém comentou que a Renamo ainda não se constituiu como alternativa para a governação deste país. Esta constatação resulta do vazio de ideias que caracteriza a Renamo.

Mas, para além do vazio ideológico, as conhecidas zaragatas internas, desorganização e falta de democracia interna têm nos sido servidos em doses cavalares. É interessante pensar como um partido em si desorganizado pode pensar, planificar e tentar executar a ideia de eliminar o Daviz. Isto a suceder seria a primeira vez que a Renamo nos demonstra alguma capacidade de pensar, planificar e executar. Seria uma novidade como é novidade entre nós eliminar fisicamente adversários políticos nos dias que correm.

Política não é campo privilegiado da santidade. Antes pelo contrário.

Diz o Mapengo que “alguns defendem que a política tem que ser limpa (?!).” Assim (contextualizando no caso em apreço), “se os outros, neste caso a Renamo, aparecem a fazer jogo sujo tentando eliminar fisicamente um adversário político, é lógico que perde a cotação por parte dos que têm essa ilusão” de que a política tem que ser limpa.

Fonte: Notícias

Confirmados seis pré-candidatos às presidenciais

A manifestação de interess­se de concorrer às elei­ções presidenciais de Ou­tubro deste ano regista um total de seis pré-candidatos até agora confirmados que vão disputar a Presidência da República em Outubro próximo.
A última confirmação foi a de Raul Domingos, presidente do Partido para Paz, Democracia e Desenvolvimento em entrevista exclusiva ao “O País” datada da última sexta-feira.

Até quinta-feira última contava-se com cinco candidatos, a saber, Armando Emílio Guebuza, do partido Frelimo; Afonso Macacho Marceta Dhlakama, da Renamo; Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Jacob Salomão Neves Sibindy, do Bloco da Oposição Construtiva (BOC); José Ricar­do Viana Agostinho, da União dos Democratas de Moçambique - Partido Popular (UDM-PT).

Conhecidos alguns manifestos eleitorais

De acordo com a informação fornecido pelo porta-voz da Fre­limo aquando do término da Terceira Sessão Extraordinária do Comité Central, na Matola, Armando Guebuza vai apostar por um manifesto baseado na continuidade, cujas balizas cen­trais estão viradas para a redu­ção da pobreza absoluta através da promoção sustentável da cria­ção de um ambiente favorável ao investimento e desenvolvimento do empresariado nacional e in­ternacional; desenvolvimento cada vez mais descentralizado priorizando o distrito e as zonas rurais, para permitir a redução das assimetrias entre o campo e a cidade, bem como o desequilí­brio regional.

Para além destes aspectos, fo­caliza-se na chamada valorização da cultura de paz, no combate à corrupção, ao burocratismo e à criminalidade.

Por seu turno, Daviz Simango, de acordo com as decisões do Conselho Nacional do MDM, nestas eleições vai apostar no combate ao desemprego, falên­cia de empresas, redução do poder de compra dos cidadãos, discriminação económica e po­lítica, partidarização do Estado e chantagens permanentes aos funcionários do Estado e a exclu­são social. Assim, o “galo” pro­mete promover um regime de democracia participativa, estado de direito, administração públi­ca profissional, solidariedade social, credibilidade da justiça, defesa da propriedade privada e impostos ao serviço da promo­ção do desenvolvimento.

Já José Viana disse que ele e seu partido vão concorrer para acabar com a injustiça social, desigualdades, falta de oportu­nidades, desemprego desrespeito pelos moçambicanos, nepotismo e enriquecimento ilícito.
Na opinião deste político, há uma necessiadae de criar uma alternativa política para este país que jaz na corrupção e outros problemas que acredita serem da culpa do governo-dia.

Yáqub Sibindy prevê a criação do Ministério das Terras, alega­damente com vista a racionali­zar os 36 milhões de terra ará­vel e distribuir equitativamente às cerca de 3,6 milhões de fa­mílias existentes em Moçambi­que, de acordo com o Censo Populacional e Habitacional de 2007. Com efeito, a governação construtiva elegeu a terra e a família como pólo de desenvol­vimento sustentável. Por outro lado, a governação inclusiva promete introduzir políticas sobre o uso e aproveitamento de águas, construindo rios ar­tificiais, a fim de “assegurar o armazenamento e reserva da água em todo o território na­cional, garantindo três campa­nhas agrícolas por ano e o fo­mento da aquacultura”.
Com o Ministério das Águas, a Oposição Construtiva diz pre­tender, igualmente, eliminar as constantes secas e cheias que as­solam o país.

Renamo poderá inspirar-se no anterior manifesto

Apesar de não se conhecer os manifestos deste ano, a Renamo e o PDD poderão inspitar-se em grande medida nos seus manifes­tos apresentados em 2004. Nesse ano, o manifesto eleitoral da Re­namo visava, entre outros aspec­tos, o fortalecimento da igual­dade de oportunidades, coesão nacional e resgate da dignidade do povo moçambicano, transfor­mação de Moçambique num país mais justo, livre, coeso, seguro e próspero, cujo desenvolvimento seja sustentável e que garanta a construção e consolidação de um estado de direito.

Fonte: O País online

Monday, May 25, 2009

Em Sussundenga: Crentes acusam padre de aliciamento politico

CRENTES da Igreja Católica no distrito de Sussundenga, em Manica, contestam a atitude do padre Timóteo Bochono, de nacionalidade burkinabe, acusando-o de estar a alicia-los para aderirem ao Movimento Democrático de Moçambique (MDM), liderado por Daviz Simango.

Com efeito, e segundo as nossas fontes, desde finais de Março do ano em curso que aquele religioso serve das homilias dominicais para promover uma campanha a favor do MDM.

“No passado dia 16 de Maio, o padre Cochono convidou-nos para um encontro que julgávamos que fosse para tratar de assuntos ligados à igreja. Para o nosso espanto, o encontro que decorreu na Sala Paulo II, foi orientado por uma brigado do MDM proveniente da cidade da Beira . Eles disseram-nos que os jovens não se deviam deixar levar pelas mentiras da Frelimo e da Renamo e que o líder do MDM estaria em condições de apoiar os jovens com bicicletas e outros meios que tem vindo a receber de parceiros europeus que não nomeou. Aliás, um funcionário da FDC aqui em Sussundenga, distribui recentemente 140 destes meios aos chefes das comunidades da igreja nos postos administrativos de Rotanda e Dombe, para a mobilização da população a favor do MDM. O que nós sabemos é que a FDC é uma organização da mamã Graça Machel e é uma ONG apartidária e não faz sentido que esse funcionário esteja a denegrir a boa imagem que a FDC tem dentro e fora do país”, desabafo do crente Lucas Sagula.

A mesma fonte avançou com informações segundo as quais o Arcebispado da Beira estaria em frente destas acções que estão a criar um mal-estar no seio da comunidade católica em Sussundenga.
A administradora distrital, Mariazinha Niquice, disse não ter tomado conhecimento da distribuição das referidas bicicletas, facto que sugere que tal acção tenha sido levada a cabo sem o conhecimento das autoridades administrativas locais.

“Nós sabemos que a mais alta hierarquia da Igreja Católica na Beira, sempre teve simpatias com a Renamo e que agora simpatiza-se com o projecto político do MDM, de Daviz Simango. O mais grave é a utilização das homilias para fins eleitorais. Todo o cidadão é livre de filiar-se a qualquer que seja o partido político. O que não é aceitável é utilizar a igreja para promover campanhas políticas e aliciamentos”, palavras de Júlia Tenesse, também crente.

Todas as tentativas encetadas para ouvir a versão do padre burkinabe foram infrutíferas, embora esforços estejam a ser desenvolvidos para auscultar o seu posicionamento.

Fonte: Jornal Notícias

Thursday, May 21, 2009

Partido de orientação “divina” vai concorrer no pleito eleitoral

O ANTIGO presidente da LINK - Fórum de Organizações Não-governamentais, José Viana, lançou na quarta-feira, no município da Matola, província do Maputo, o seu partido político, denominado União dos Democratas de Moçambique (UDM), que vai concorrer às eleições gerais e provinciais agendadas para 28 de Outubro próximo.

Segundo Viana, a UDM é uma congregação de todos os moçambicanos que se sentem injustiçados pelas políticas adoptadas pelo Governo moçambicano.

Viana disse a jornalistas que a UDM é um partido que segue orientações divinas, seguindo os princípios de “Deus Todo Poderoso”.

“Democratas são todos os moçambicanos que se julgam injustiçados nos seus mecanismos de socialização. A União dos Democratas não é uma união de partidos políticos, mas sim do povo sofredor, aquele que está injustiçado pelas políticas do Governo, como o desmobilizado de guerra, que defendeu esta pátria e não tem nenhuma recompensa, os combatentes da luta armada que compulsivamente são postos na reserva, os agentes da segurança privada que passam noites sem nenhuma segurança”, explicou.

Viana acrescentou que foram esses moçambicanos que se sentiam revoltosos que o encorajaram a criar o partido. “Isto significa a revolta do povo moçambicano”.

Segundo ele, UDM vai concorrer a todos os pleitos eleitorais previstos para este ano no país e já garantiu que será o presidente de Moçambique nos próximos cinco anos, apesar de não contar com financiamentos para a actividade eleitoral, sobretudo a campanha.

“Não estamos preocupados com apoio financeiro e nem morais carnais. Nós temos a devida orientação de Deus, nós temos todo o apoio que é a ordem e decisão que provêm de Deus. Vamos concorrer às eleições provinciais, vamos às legislativas e eu serei o presidente de Moçambique a partir do próximo ano, mesmo sem apoio material porque toda a riqueza vem de Deus, o dinheiro que as pessoas possuem provém de Deus”, sublinhou.

No seu discurso, Viana vincou que vai governar o país na base da orientação divina e já diz que vai abolir a laicidade do país, tornando Moçambique num país religioso, em que os moçambicanos temem a Deus. A Constituição define Moçambique como um país laico.

“Vou dirigir este país na base da orientação divina porque todos devem ser tementes a Deus em toda a sua plenitude. Esta Constituição da República que temos será banida, porque separa o homem de Deus e isso não pode ser”, disse.

GOVERNO INCLUSIVO

Porém, Viana garantiu que o seu Governo será inclusivo, em que os moçambicanos vão dirigir o seu próprio país.

As ameaças do presidente da UDM continuaram, tendo dito que os actuais órgãos eleitorais, nomeadamente a Comissão Nacional de Eleições (CNE) e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) serão dissolvidos, alegadamente porque a maior parte dos elementos que os compõem estão ao serviço do partido no poder, a Frelimo.

De tudo que Viana disse, o mais estranho foi o facto de ter sublinhado que é da Frelimo, tendo chegado ao ponto de mostrar o cartão daquele partido.

“Eu sou filho da Frelimo, filho de combatente da luta de libertação nacional. A UDM é uma continuidade dos ideais de Samora Machel e de Eduardo Mondlane, portanto, é uma réplica da Frelimo. Nós somos o acrónimo maiúsculo da Frelimo”, sublinhou.

Ainda não é conhecido o número de membros que a UDM possui. A força política recém-criada ainda não tem sede, apesar dos estatutos referirem que a mesma estará em Maputo, devendo ter representatividade noutros pontos do país.

“Fizemos o registo dos membros que fazem parte do nosso partido e neste momento são mais de 20 milhões de pessoas. Temos representação em todo o país e a nossa sede é o coração de todos os moçambicanos filhos de Deus injustiçados”, referiu.

José Ricardo Viana foi presidente da LINK e diz ter abandonado aquele fórum de organizações da sociedade civil por estas entidades estarem alegadamente corrompidas pelo Governo e pela Frelimo.

De referir que Viana escreveu uma carta para o antigo director do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), Gregório Leão, a denunciar suposta subversão e ligações entre partidos da oposição e várias organizações da sociedade civil.

Nas referidas cartas, Viana denunciava, ainda, que a Organização não-governamental Kulima, do activista italiano Domenico Liuzzi estava a agitar a sociedade civil contra o Governo moçambicano e que a mesma entidade canalizava fundos dos seus projectos para apoiar a Renamo.

Questionado sobre os resultados das suas denúncias, declinou ter escrito tais cartas e se defendeu “não respondo isso, a Frelimo é que fez isso e vocês (jornalistas) também conhecem o assunto por isso foram enviados para me perguntar sobre isso”.

A UDM foi constituído no dia 16 de Maio de 2009, tendo indicado Viana como presidente. Em breve serão indicados o respectivo secretário-geral, bem como os componentes dos órgãos daquela força política, que oportunamente serão empossados.

AIM

Fonte: Jornal Notícias

Tuesday, May 19, 2009

No círculo eleitoral da Zambézia : Sessenta mil membros filiam-se ao MDM

SESSENTA mil membros de vários estratos sociais acabam de filiar se ao Movimento Democrático de oçambique (MDM) de Daviz Simango no circulo eleitoral da Zambézia, esperançosos de uma governação transparente e inclusiva, onde todos tem lugar para contribuir para o desenvolvimento socioeconomico e cultural do pais.

O delegado Político do Movimento Democrático de Moçambique na Zambézia, Margarido Abrantes, disse há dias à nossa Reportagem que não constitui verdade as alegações segundo as quais o partido tem inserção apenas nos centros urbanos. O nosso entrevistado que acaba de regressar de uma périplo que o levou sucessivamente à vários distritos com a excepção de Chinde e Inhassunge disse que o partido está representado a nível dos distritos, não em termos de uma pessoas que coordenada as actividades, mas já tem sedes próprias, membros e recursos materiais e financeiros para funcionar.

A aderência dos membros ao partido é extremamente surpreendente. Abrantes afirmou que para além dos que vem da Renamo e Frelimo, a qualidade dos membros é igualmente boa, sobretudo, jovens academicos com visão e perspectivas de como o pais deve ser governado, pretendem usar o seu potencial intelectual para contribuir para o desenvolvimento do pais.

“Apesar disso ser extremamente bom, devo dizer igualmente as idéias que os membros trazem, independentemente de ter ou não escolas são muito importantes para definir a nossa estratégia eleitoral; por isso, eu disse que temos membros de todos os estratos sociais e profissionais; filiaram-se ao nosso partido porque vê o MDM como a única salvação e alternativa de governação do país; estão fartos de serem excluídos e marginalizados e querem uma oportunidade para provar as suas capacidades de pensar e saber fazer bem as coisas”, disse o nosso entrevistado para que o partido já está a trabalhar na mobilizar de mais membros nos Postos Administrativos e Localidades da província da Zambézia para também namorar os indecisos. Alias, a fonte disse igualmente que uma parte significativa desses membros que o partido angariou desde a sua apresentação pública há dois meses são os chamados indecisos que acham que agora chegou a altura de tomar uma decisão para sua participação da vida política como cidadãos conscientes.

“Os cidadãos perderam a esperança da Renamo e a alternativa para salvar o pais é o MDM que no seu programa apresentado publicamente traça as linhas mestras de um verdadeiro combate a pobreza; não combater pobreza de discursos políticos; é um programa pragmático”, disse Margarido Abrantes para depois acrescentar que a principal mensagem transmitida que está cativar as pessoas a filiarem se ao MDM é de um “Moçambique Para Todos” pelo facto de o partido no poder estar alegadamente a excluir muita gente da sua governação, a exemplo do que está acontecer com actual governação do partido Frelimo na Zambézia que ignorou todos os Zambezianos.

“A Frelimo em trinta e cinco anos não trouxe mudanças na política económica e só está a forçar os cidadãos, incluindo os funcionários públicos a acreditar todo quanto dizem quando na verdade está longe da realidade; a Renamo não conseguiu devolver aos cidadãos moçambicanos o bem estar social; então, nessa perspectiva o MDM aparece como o partido que vai salvar o país que está a beira do colapso”, disse.

Segundo Margarido Abrantes, a pobreza em moçambique só poder combatida com a alocação de infra-estruturas nos locais onde existem os recursos naturais por forma que esse potencial seja utilizado para dar emprego aos cidadãos. Apontou com exemplo, o ramo da madeira onde estão envolvidos muitos dirigentes políticos que ao invés de pagarem salários justos exploram os seus compatriotas para além de estarem a dizimar as florestas e a aumentar a pobreza absoluta que não se cansam de afirmar que estão a combatê-la. “Os chineses levam as quantidades de madeira que quiserem sem pagar impostos mas o governo continua impávido e sereno; um cidadão que quer tirar madeira para fazer um banco e vender e comprar pão para a sua família é preso; é um autentico contraste”, disse.

Todos esses males só podem ser combatidos por alguém que foi educado dentro de uma cultura de respeito e amor ao próximo. Segundo o delegado Político do MDM, essa pessoa só pode ser o Presidente do MDM o jovem engenheiro Daviz Simango que já tem créditos firmados na praça pública que é uma pessoa comprometida com o desenvolvimento do pais.

Entretanto, no dia da apresentação pública o campo de futebol da sagrada ficou lotado por completo e não havendo espaço para meter sequer uma agulha. Há muita expectativa em torno do movimento criado pelo Daviz Simango considerado pelos jovens como a única esperança para os seus múltiplos problemas, nomeadamente, falta de emprego, formação profissional, oportunidade de estabelecimento de negócios. Os financiamento para desenvolver negócios são para pessoas localizadas, escolhidas a dedos.

Entretanto, dentro de poucos dias arranca a capacitação dos fiscais e membros que irão trabalhar em Outubro nas Assembléias de Voto em matérias do pacote eleitoral.

Jocas Achar

Fonte: Jornal Notícias

Tuesday, April 28, 2009

ANC venceu mas perdeu terreno nas eleições de 22 de Abril

África do Sul

* Aliança Democrática conquistou 77% dos votos dos emigrantes * Comentador explica fracasso do Cope

Pretoria (Canal de Moçambique) - Embora tenha arrecadado 65,9% dos votos nas eleições legislativas nacionais, o ANC não conseguiu alcançar a almejada maioria parlamentar de 2/3, que lhe permitiria alterar a Constituição de 1994. Nas eleições de 22 de Abril, o ANC conquistou 11.650.748 dos 17.680.729 de votos depositados pelos eleitores, o que lhe confere o direito a dispor de 264 assentos no parlamento. A nível provincial, o ANC venceu em todas as províncias, excepto a do Cabo Ocidental que foi conquistada pela Aliança Democrática.

A Aliança Democrática passará a ter 67 assentos no Parlamento nacional, o Congresso do Povo (Cope) 30, e o Partido Inkatha da Liberdade (IFP) 18.

O Movimento Democrático Unido, a Frente da Liberdade (FFP) e os Democratas Independentes terão cada um 4 lugares no Parlamento.

O Partido Africano Cristão Democrata conquistou 3 assentos no Parlamento nacional.
O Partido Cristão Democrático Unido obteve dois lugares e o Congresso Pan-Africanista da Azânia (PAC) um lugar.

Pela primeira vez, o eleitorado representado nos diversos círculos eleitorais reservados a emigrantes foi autorizado a participar nas eleições de 22 de Abril. Dos 9.857 eleitores registados junto de embaixadas sul-africanas no estrangeiro, 7.581 (ou 77%) votaram na Aliança Democrática. A Frente da Liberdade (FPP), que juntamente com a Aliança Democrática e outros partidos se havia batido pela consagração do direito de voto dos emigrantes na Lei Eleitoral, obteve apenas 270 votos.

Cope não materializou expectativas criadas

A grande expectativa das eleições deste ano era o futuro da Aliança Democrática de Helen Zille como principal partido da oposição em face do aparecimento na cena política sul-africana do Cope, formação resultante de uma cisão no seio do ANC. Conforme refere o comentador Rapule Tabane do semanário «Mail & Guardian» de Joanesburgo, os líderes do Cope afirmavam representar 40% dos membros do ANC que haviam votado em Thabo Mbeki no Congresso do partido no poder, realizado em Polokwane em Dezembro de 2007. Isto sugeria que nas eleições gerais deste mês, o ANC poderia vir a perder a sua hegemonia política. Na prática, as expectativas criadas pelo Cope entre o eleitorado não puderam ser materializadas pois o novo partido não só se viu impedido de retirar a maioria ao ANC como também não substituiu a Aliança Democrática como principal partido da oposição da África do Sul.

Rapule Tabane aponta uma série de factores que contribuíram para a derrota sofrida pelo Cope nos plebiscitos deste mês. Segundo o comentador, “a campanha eleitoral do Cope foi erradamente concebida, tendo arrancado tardiamente.” Tabane salienta que “enquanto o ANC começou a promover a imagem de Jacob Zuma entre o eleitorado a partir de Setembro de 2008, em Fevereiro do corrente ano o Cope ainda não havia sequer afixado cartazes dos seus líderes em locais públicos. Quando a campanha eleitoral teve o seu início oficial, o Cope centrou a sua acção entre a classe rica, educada e intelectual” do país.

Segundo o comentador que temos vindo a citar, “o Cope contratou especialistas em relações públicas com vasta experiência em promover a imagem de individualidades entre as classes economicamente sólidas do país, mas que se pautaram pela ausência nas zonas rurais e cidades satélites onde reside a esmagadora maioria do eleitorado.” Mosiuoa Lekota, figura de proa do Cope, “dirigiu encontros com o sector africânder da população branca e representantes das profissões liberais, mas o candidato presidencial do partido, Mvume Dandala, assim como Mbhazima Shilowa, ex-dirigente sindicalista, despenderam pouco tempo a orientar comícios nas cidades satélites e em campanhas de porta-a-porta.”

Embora a Província do Cabo Oriental fosse considerada como o baluarte do Cope, este partido não se esforçou o suficiente para criar delegações nessa parcela do país. O facto do partido ter tardiamente escolhido o reverendo Mvume Dandala como candidato presidencial, preterindo a figura mais conhecida e popular de Mosiuoa Lekota, foi outro factor que contribuiu para a experiência amarga do Cope nas eleições de 22 de Abril. Não obstante esta decisão, a imagem de Lekota foi a que constou dos boletins de voto, e não a do candidato presidencial escolhido pela direcção do partido.
Acrescente-se a esses factores, a particularidade do Cope ter surgido na cena política sul-africana num espaço de tempo relativamente curto em relação à data dos escrutínios nacional e provincial, pese embora o facto de na África do Sul os meios de comunicação com as zonas remotas do país serem de nível sofisticado o que, à partida, não constituiria empecilho de monta para quem quisesse fazer campanha na mira de retirar ao partido poder a maioria que detinha no Parlamento e de se afirmar perante o país como a principal força da oposição.

(Redacção / Mail & Guardian / The Times)

Fonte: Canal de Mocambique


Saturday, April 18, 2009

Macuácua nega que “MDM” reduza a Frelimo a metade

Porta-voz da VII Conferencia Nacional de Quadros do partido governamental em Moçambique, a Frelimo, Edson Macuácua, diz que nenhuma força política com “desígnios externos, caso do MDM”, pode reduzir o partido das massas a metade.

Macuácua reagia assim as alegações do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), um partido recém-criado e presidido pelo Edil da Beira, Daviz Simango, segundo as quais um dos objectivos desta formação política é eliminar a Renamo (até aqui principal partido da oposição) e reduzir a Frelimo a metade.

Falando à imprensa, a margem da conferência de quadros da Frelimo que decorre desde Sexta-feira, na cidade industrial da Matola, Macuácua explicou que este posicionamento do MDM é próprio de um partido “atípico” cuja agenda está virada para interesses estrangeiros no lugar de nacionais.

Ademais, segundo soube a AIM do próprio Macuácua, este partido só tem membros praticamente de uma única província, diferentemente da Frelimo que está enraizado em todo o país e que é uma verdadeira escola de que os consensos se buscam num pluralismo de ideias.

“Por isso é que logo que este partido foi constituído, a respectiva liderança correu para a Europa para lançar o seu manifesto, onde até caluniaram o Estado moçambicano”, frisou Macuácua.

Considerando o MDM de “ilegal”, Macuácua adiantou que se este partido estivesse virado para interesses nacionais, não corria para Europa antes de se apresentar as populações nos distritos e províncias moçambicanos.

Macuácua, que também é Secretario para a Mobilização e Propaganda da Frelimo, reiterou que “o MDM é um partido que surgiu de uma cisão, dai que não está para servir os moçambicanos, mais sim para combater ou destruir outros partidos”.

Ele vaticinou que este partido vai desaparecer da mesma forma como apareceu.

“É um partido que se constituiu a partir de deserções e é por deserções que vai desaparecer”, explicou Macuácua.

Macuácua diz não ver nenhum pormenor que lhe possa convencer a dizer que este partido resulta da acção dos moçambicanos, senão de uma cisão dentro da Renamo.

Ele sustentou que “no discurso político do MDM encontramos o ódio e vingança”.

O Presidente do MDM, Daviz Simango, era membro de pleno direito da Renamo, tendo sido expulso desta formação política depois de se ter candidatado como independente nas eleições autárquicas de Novembro passado.

A expulsão do edil da Beira foi o culminar de uma decisão de excluir Simango como candidato da Renamo para a sua auto-sucessão nas últimas eleições municipais, não obstante ter demonstrado “boas” capacidades de gestão durante o primeiro mandato como edil daquela cidade do Centro de Moçambique, a segunda politicamente mais importante do país.

Simango acabou ganhando as eleições, deixando a Renamo sem um único município sob sua gestão. Moçambique possui 43 cidades e vilas municipais.

Retirado do O País.

Friday, April 17, 2009

Guebuza confiante na vitόria da Frelimo

O Presidente da Frelimo, o partido governamental em Moçambique, Armando Guebuza, disse não ter nenhuma sombra de dúvidas de que este partido e seus candidatos vencerão as eleições presidenciais, legislativas e das assembleias provinciais, que pela primeira vez decorrerão, em simultâneo, ainda no presente ano.


“Com militantes deste quilate e o nível de preparação que vislumbramos, a Frelimo e seus candidatos vencerão, uma vez mais, nos próximos pleitos eleitorais”, frisou Guebuza, falando hoje perante milhares de pessoas, entre delegados, convidados e outros participantes, que acorreram a histórica Escola Central da Frelimo, na cidade industrial da Matola, Sul do pais, local onde decorre a VII Reunião Nacional de Quadros deste partido.

“Disso nós temos certeza”, vincou Guebuza, na sua comunicação intitulada “País Construído por Todos e para Todos”, que apresentou na sessão de abertura oficial deste encontro de carácter consultivo.

Antes de manifestar este seu optimismo, Guebuza explicou que a VII Conferencia Nacional de Quadros, que se prolongará até o próximo Domingo, é mais um exercício que visa partilhar as reflexões e experiências trazidas por todos os cantos do país e traduzi-las em ingredientes enriquecedores do projecto deste partido para o próximo ciclo político.



Este projecto, segundo o Presidente da Frelimo, está inspirado e enquadrado no desiderato colectivo de um Moçambique melhor para todos.

Com efeito, os debates levados a esta conferência envolveram milhares de quadros dedicados a causa deste partido, mas pelo seu número elevado, não poderiam, todos eles caber na sala onde decorre a Conferência.

Mesmo assim, estão credenciados mais de 2.152 pessoas, entre delegados e convidados, idos de todo o país e da diáspora.

Esta situação levou Guebuza a afirmar que os militantes presentes na conferência são apenas uma pequena parte da grande maioria de compatriotas dedicados a causa do partido Frelimo e da nação moçambicana.

O Presidente da Frelimo indicou que são estes militantes que, sentindo-se desafiados em garantir a vitória do seu partido e dos seus candidatos, não se fazem de rogados.

Foi desta mesma maneira que, segundo explicação dada por Guebuza, eles tudo fizeram para que a sua Frelimo e os seus candidatos saíssem vitoriosos das eleições autárquicas de 19 de Dezembro passado.

A Frelimo conseguiu maioria em todas as 43 Assembleias municipais e venceu a presidência em 42 municípios.

“A pé, de bicicleta, de motorizada ou de transporte colectivo, fizesse sol ou chuva, de dia ou de noite, os nossos militantes e simpatizantes estavam no terreno a mobilizar e a articular a mensagem de um futuro melhor para Moçambique”, referiu Armando Guebuza.

Mais adiante, ele destacou que “é por isso que a estrondosa e convincente vitoria nesse pleito não foi obra do acaso”.

Ele fez menção a obra deixada pelo falecido Eduardo Mondlane, primeiro presidente da Frelimo (enquanto Frente de libertação na luta contra o colonialismo), e obreiro da unidade nacional, deixando claro que o compromisso que os militantes da Frelimo (partido) tem por um Moçambique melhor é a concretização do sonho deste grande líder.

Pelo seu reconhecimento, o Governo dedicou o ano de 2009 ano especial de Eduardo Mondlane.

Ele acrescentou que Moçambique, enquanto continuar a ser guiado pelo governo da Frelimo, também vencerá o flagelo da fome e da pobreza que ainda grassam o país.

Guebuza apelou para que os sectores público e familiar continuassem a servir de exemplo de que a vitória nesta batalha esta inteiramente ao alcance.

De acordo com ele, os moçambicanos já deram provas de sobra da sua tomada de consciência de que o melhoramento da sua condição de vida está sempre dependente do seu trabalho mais do que qualquer donativo ou oferenda de terceiros.

“O nosso povo percebe que não é o boato, a inveja, a calunia e a intriga que geram riqueza no país”, referiu Guebuza, acrescentando, por outro lado, que o povo moçambicano também percebe que o boato, a inveja, a calunia e a intriga são “adubos” que fertilizam e fazem florescer a pobreza.

Para hoje, a conferencia vai se concentrar na análise das últimas eleições, o grau de cumprimento do manifesto eleitoral das eleições gerais de 2004, para além da apresentação e debate, em sessão plenária, de sugestões para a elaboração dos manifestos eleitorais para as eleições presidenciais, legislativas e das assembleias provinciais.

Fonte: O País

Thursday, March 12, 2009

Dicionário político moçambicano: D de dirigente

JÁ tinha avisado que começar é difícil. Estou na quarta letra do alfabeto e ainda não estou no assunto. Continuo nos preliminares. Vou entrar verdadeiramente no assunto quando começar a fazer incursões por alguns autores que fizeram observações interessantes sobre a relação das palavras com o social. Enquanto não chega esse momento, vou preparando o leitor para saber lidar com a imaginação fértil de um sociólogo. Essa imaginação consiste em pegar numa coisa e deixar-se levar pelas suas propriedades para ver até onde chegamos. Muitas vezes ficamos parados no mesmo lugar, mas pensamos que estamos a progredir. Só quando chegamos onde não fomos é que nos damos conta de que estivemos todo o tempo no mesmo lugar.

Forcei a metáfora para introduzir a palavra “dirigente”. É quem dirige, como é evidente. E quem dirige leva outras pessoas para um sítio. A palavra dirigente implica rumo, destino e, naturalmente, seguidores. Implica uma distribuição clara de papéis. Há os que conhecem o caminho, sabem como ultrapassar obstáculos e têm a coragem de conduzir outros. Há os que talvez conheçam o caminho, mas não sabem como ultrapassar obstáculos; há os que sabem como ultrapassar obstáculos, mas não conhecem o caminho; há os que não sabem nem uma, nem outra coisa, mas têm coragem de conduzir outros. O nosso país tem muitos destes últimos. São dirigentes. É mais um verbete que teve os seus tempos áureos. Já não faz tanta parte da nossa dicção política quanto o foi no período imediatamente a seguir à independência, mas, tal e qual a noção de “conquista”, o dirigente continua presente na nossa cultura política.

É uma concepção carismática ou tradicional de autoridade. A comunidade política define-se pelas qualidades extraordinárias, ou tradicionais, de certos indivíduos que reclamam ascendente sobre outros – a maioria – na base dessas qualidades ou na base da preservação de usos e costumes. É evidente que uma comunidade política estruturada nestas moldes não tem nenhuma pachorra para definir o moçambicano como cidadão. O moçambicano é um seguidor. Não é um indivíduo com direitos, direitos esses cuja garantia justificam a autoridade de quem tem poder. Nada disso. O moçambicano, nesta concepção de autoridade, é alguém que tem a obrigação de seguir. É por isso que, nos tempos que já lá vão, os Marcelino dos Santos, Jorge Rebelo, Joaquim Chissano, Mariano Matsinhe, Armando Guebuza e, claro, Samora Machel iam dar “orientações” ao povo. Eles conheciam o caminho (diziam); eles sabiam como ultrapassar obstáculos (asseveravam) e, enfim, eles tinham a coragem de nos conduzir (provaram). Para onde, é outro assunto.

É por isso que quem manda nos nossos partidos é o chefe. E manda mesmo. Ou melhor, para ser chefe tem que saber mandar. Se não sabe mandar, isto é, se quer consultar outros, ouvir a sua opinião, mudar de ideias por achar que houve argumentos interessantes de outros cantos, etc., então, não é dirigente. É Mariazinha. A palavra dirigente, conforme já anunciei solenemente mais acima, já não é usada entre nós, pelo menos não tanto quanto no passado. Mas o vocabulário do qual ela era parte integrante continua bem enraizado nas nossas mentes. O dirigente dirige, isto é, põe e dispõe. E, aí, até nem a legalidade é suficiente para o travar. A legalidade é um expediente que serve quando está em sintonia com o acto de dirigir; quando não está, bom, o azar é todo ele de quem achar que um país deve ser governado na base do respeito pelas leis.

Antes que alguém comece a pensar que estou a comentar o nosso sistema político, apresso-me a dizer que não. Estou a comentar criticamente a nossa cultura política. O que estou a dizer em relação à cultura subjacente à palavra “dirigente” não se restringe ao tipo de atitude que os nossos governantes por vezes revelam. Abarca também cada um de nós, da nação ao nível mais baixo da nossa hierarquia estatal. Estar no topo da hierarquia significa ser dirigente; e ser dirigente significa, infelizmente, supor que todos os outros precisam da nossa mão, e da nossa cana, para chegarem lá. E esse lá onde eles querem chegar não são eles a definir. São os dirigentes. E depois ficam admirados quando não queremos marchar atrás deles.

Maputo, Sábado, 2 de Agosto de 2008:: Notícias


Elísio Macamo - Sociólogo/Nosso colaborador

Tuesday, March 10, 2009

VIOLACAO DOS ESTATUTOS DITOU SUSPENSAO DE BULHA

10 de Março de 2009, 14:47

Sem especificar o tipo de infracção cometida por Bulha, Macuácua frisou, citando os estatutos do Partido, que 'aos membros que violem os estatutos ou o programa, não cumpram as decisões, abusem das suas funções ou de qualquer forma prejudiquem o prestigio do partido, são sancionados com advertência, repreensão registada e a suspensão das funções ou da qualidade de membro de órgão da Frelimo'.

Mas porque Bulha já tinha sido alvo de uma das primeiras duas sanções, segundo Macuacua, coube-lhe, desta feita, a suspensão das funções. Macuácua justificou a não especificação “das infracções” de Bulha, alegando que “não é em sede de conferencia de imprensa que vamos descrever questões de disciplina interna do Partido”.

Macuácua falava a jornalistas na sequencia da realização entre 17 e 19 de Março em curso, na cidade industrial da Matola, da VII Conferencia Nacional de Quadros da
Frelimo, tendo em vista as eleições presidenciais, legislativas e provinciais, agendadas para este ano.

Indicando que a pena aplicada a Bulha não foi a máxima, Macuácua excluiu definitivamente a possibilidade desta decisão ter alguma relação com os resultados eleitorais das autárquicas de 19 de Novembro passado.

Algumas correntes de opiniao assumiam que Bulha e seus companheiros, nomeadamente Manuel Cosaminho, Primeiro Secretario da Frelimo na Beira, a capital provincial de Sofala, caíram na desgraça por causa do seu fracasso em recuperar aquela cidade, a segunda politicamente mais importante do pais, das mãos da oposição.

Apesar de Bulha não ter conseguido derrotar Daviz Simango, principal objectivo da Frelimo e seu candidato, ele melhorou os resultados da Frelimo em Sofala e na Beira, em particular.

Em 2003, nas segundas eleicoes autarquicas, a Frelimo que concorreu com Djalma Lourenço, amealhou um pouco mais de 23 mil votos. Ja a 19 de Novembro passado, nas terceiras, Bulha conquistou cerca de 42 mil votos (33,7 por cento), entretanto insuficientes para suplantar Daviz Simango, que arrecadou mais de 76 mil votos (61,6 por cento).

Ainda em Sofala, a Frelimo conseguiu “arrancar” da Renamo o Município de Marromeu e consolidou a sua posição no de Dondo. A Frelimo conseguiu ainda vencer folgadamente em Gorongosa, vila recentemente promovida a Município, mas que ate então era considerado bastião da Renamo.

Quanto ao surgimento de um novo partido, o Movimento Democrático de Mocambique (MDM), liderado pelo Edil da Beira, Daviz Simango, Macuácua disse não crer que seja de facto um novo partido.

“Oficialmente surgiu um novo partido mas pelos dados que avultam adensa-me a convicção de que é uma cisão de um partido chamado Renamo. Estamos perante uma cisão, existindo agora duas Renamos, uma liderada por Afonso Dhlakama e outra por Daviz Simango”, explicou Edson Macuácua.

Explicou, porem, que quando a Frelimo decidiu, em 1990, introduzir o multipartidarismo estava a abrir espaço para que toda a sociedade tenha espaço para criar partidos políticos.


Fonte: AIMMZ/SN

Saturday, March 07, 2009

MDM FRUTO DA “REVOLUCAO DE 28 DE AGOSTO”

Por Elias Samo Gudo, da AIM, na cidade da Beira

Beira, 06 Mar (AIM) – Um grupo de dissidentes da Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, e alguns membros da sociedade civil lançam, esta sexta-feira, uma nova formação política designada por Movimento Democrático de Moçambique (MDM), como resultado daquilo que designam por “Revolução de 28 de Agosto de 2008”.

Segundo o porta-voz do evento, Geraldo Carvalho, 28 de Agosto é a data em que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, decidiu retirar a candidatura do então edil da Beira, Daviz Simango, a favor de Manuel Pereira.

“Portanto, como vocês viveram de perto houve um repúdio total, uma revolução durante a qual, pela primeira vez, as bases da Renamo desobedeceram a liderança da Renamo, desde aquele dia para sempre. Por isso nós chamamos de Revolução de 28de Agosto”, explicou Carvalho.

Para o efeito, a nova formação política realiza a sua Assembleia Constitutiva, um evento que marca a constituição formal do MDM, entre os dias 6 e 7 do corrente mês na cidade da Beira, capital provincial de Sofala, no centro do país.

Durante o evento, possivelmente, ainda nesta sexta-feira, deverá ser anunciada a liderança do novo partido.

A cerimónia teve início cerca das 9.30 horas, no anfiteatro da Faculdade de Medicina da Universidade Católica.

Participam no evento um total de 375 delegados dos 128 distritos existentes em Moçambique, tendo contribuído cada distrito com um número que varia de um a três delegados.

Segundo o porta-voz do evento, foram também convidados os seus representantes vizinho Zimbabwe e Africa do Sul.

Participam ainda no evento cerca de 120 convidados, entre nacionais e estrangeiros, incluindo um representante da Liga dos Direitos Humanos de Moçambique (LDH), do Partido Social Democrata de Portugal, e representantes do corpo diplomático acreditados em Moçambique.

Segundo Carvalho, prevê-se a chegada, ainda durante esta sexta-feira, de um representante do Movimento para Mudança Democrática (MDC), maior partido da oposição, zimbabweana, actualmente liderado pelo recém-nomeado primeiro-ministro, Morgan Tsvangirai.

Entre os presentes, destacam-se vários membros da Renamo em todo o país, incluindo Ismael Mussá, deputado da Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, bem como de Carlos Jeque, candidato presidencial independente nas primeiras eleições multipartidárias de 1994.

Falando no seu discurso de abertura, o Dr. Eduardo Elias, chefe da Comissão de Preparação desta Assembleia Constitutiva do MDM, explicou que a escolha da Beira para a realização deste evento deve-se ao facto de esta cidade estar situada num dos pontos mais acessíveis do país, em termos de distância a percorrer pelos delegados vindos de todas as províncias. Também serve de uma homenagem aos compatriotas da “Revolução de 28 de Agosto de 2008”.

Elias, proeminente jurista, foi deputado da Assembleia da República entre 1999 e 2004, pela bancada parlamentar da Renamo-União Eleitoral.

Na ocasião, Elias explicou que o MDM surgiu e cresceu sem recursos financeiros e logísticos, estrutura e organização formalmente constituídas, sendo a sua esperança a determinação em contribuir para a defesa de uma democracia verdadeiramente pluralista e participativa.

Durante o evento, os participantes vão discutir e debater estratégias para a busca de um espaço político, aproveitar as vantagens comparativas, e visão orientadora para que, efectivamente, o povo moçambicano avance rumo a um desenvolvimento inclusivo.

“Só o tempo dirá se este encontro ficará recordado na história como o início de uma nova etapa na jovem democracia multipartidária moçambicana, e cabe a nós esta responsabilidade colectiva”.

Por isso, disse Elias, o MDM deve avaliar atentamente a situação politica, social e económica do país, com realismo, honestidade e muita frontalidade.

“Precisamos de uma oposição forte, com sentido de Nação e capacidade de monitoria efectiva e que responsabilize a quem governa, para prestar conta a sociedade Moçambicana”, disse Elias, para de seguida acrescentar “não podemos ficar passivos e a assistir, sem nada fazer, para defender as liberdades que conquistamos. É porque o perigo de regresso a mono partidarização é real e fatal para a democracia, que surge uma nova força poíitica em Moçambique, o MDM”.

Falando a imprensa a margem do encontro, Carvalho explicou que, após a “Revolução de 28 de Agosto”, Daviz Simango foi pressionado pela população a candidatar-se como independente.

“Depois da sua vitória, muita gente convenceu-o a avançar e formar um movimento político. Inicialmente, foi apenas uma sugestão que a nossa equipe de trabalho, que tem vindo a trabalhar com Daviz Simango, analisou até que se apercebeu que a mesma afinal era de dimensão nacional”.

Foi na sequência desta conclusão, que a equipe de Daviz Simango decidiu avançar para os distritos e localidades, onde trabalharam durante cerca de três semanas para auscultar a vontade do povo.

“No fim desse levantamento apuramos que havia, de facto, uma grande vontade de avançar com a formação de um movimento liderado e inspirado por Daviz Simango”, disse Carvalho.

Prosseguindo, Carvalho explicou que se seguiu um processo de recolha de assinaturas de intenção, daqueles que acreditam que Daviz Simango deveria avançar com a formação de um movimento, tendo angariado em menos de 21 dias cerca de 279.000 assinaturas. Isso foi encorajador porque mesmo nas zonas mais recônditas a população estava a par daquilo que estava a acontecer.

“Efectivamente, toda a gente via em Daviz Simango uma alternativa de governação. Assim, decidimos sentar e convencer Daviz Simango em avançar com um movimento”.

Todo este processo foi feito de uma forma muito minuciosa, incluindo todos os pormenores jurídicos sobre as suas implicações na governação no município da Beira caso Daviz Simango seja eleito líder do movimento.

Actualmente, segundo Carvalho, o MDM constatou que as massas querem que Daviz Simango avance como seu candidato para as presidenciais do corrente ano e que esta nova formação política concorra nas eleições provinciais e legislativas.

Foi neste âmbito que o MDM decidiu lançar o seu projecto de estatutos e programas nas localidades e distritos para sua discussão.

Concluído esse processo, a presente Assembleia vai aquilo que já foi estudado a nível dos distritos das localidades e das cidades.

Questionado sobre o custo da realização do evento, Carvalho disse que o mesmo foi suportado com as contribuições e quotas dos membros e voluntários e do empresariado nacional, tendo conseguido arrecadar mais de um milhão de meticais (cerca de 40.000 dólares).

Sobre o número de membros, Carvalho disse não ser uma questão pertinente, antes é necessário formalizar a existência do partido.

“Por isso, agora vamos institucionalizar o movimento e depois avançar com as inscrições para os membros”, disse o porta-voz.

Não posso confirmar se o MDM vai concorrer para as presidenciais e legislativas porque é esta a assembleia que vai deliberar se existem condições para avançarmos e como avançarmos, rematou Carvalho.


Fonte: AIM SG/DT


Wednesday, March 04, 2009

Frelimo suspende secretariados em Sofala

O PARTIDO Frelimo anunciou ontem, formalmente, a suspensão dos mandatos dos secretariados dos comités provincial de Sofala, dirigido por Lourenço Bulha, e da cidade da Beira, encabeçado por Manuel Cosominho, passando estes órgãos a ser chefiados, até à eleição dos novos corpos directivos, pela brigada central liderada pelo membro da Comissão Política Alberto Chipande.

Segundo um comunicado distribuído à Comunicação Social ao princípio da noite de ontem, a Comissão Política da Frelimo, reunida na sua 23ª sessão extraordinária, no dia 27 de Fevereiro passado, no uso das competências que lhe são conferidas pela alínea c), número 1 do artigo 64 dos Estatutos do Partido, decidiu enviar a brigada central chefiada por Alberto Chipande para a província de Sofala com o objectivo de apoiar as actividades de revitalização dos órgãos do partido a todos os níveis.

A referida brigada iniciou a sua actividade na terça-feira, com a realização da reunião do secretariado do comité provincial alargado a outros quadros, seguida de uma outra, ontem, com os membros dos comités central e provincial residentes na cidade da Beira e outros quadros.

Nas reuniões havidas, segundo refere o documento, a brigada anunciou as decisões da 23ª sessão extraordinária da Comissão Política, que orienta para a realização de eleições internas a nível de células, círculos, zona, distrito, cidade e provincial, com o objectivo de revitalizar os órgãos do partido e para a suspensão dos mandatos dos secretariados provincial e da cidade.

Faziam parte do secretariado provincial, para além de Lourenço Bulha, como líder, Chaquil Aboobacar, Zandamela Juga, Tomás Loiane e Bernardete Roque, enquanto a nível da cidade Manuel Cosominho era o secretário, secundado por Félix Afonso e Matilde Valente.

Fonte: Jornal Notícias

Thursday, February 19, 2009

Aeroporto Eduardo Mondlane, sim

Editorial

Porque não Ponte Urias Simango, entre Caia e Chimuara?

Na última edição do Semanário ZAMBEZE, Francisco Rodolfo, solicito funcionário do Ministério dos Transportes e Comunicações, membro activo do Partido Frelimo e cronista regular deste semanário, propôs na sua habitual rubrica “MAPUTADAS” que o nome do primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique, Doutor Eduardo Chivambo Mondlane venha a ser atribuído ao Aeroporto Internacional de Maputo. A proposta veio em boa hora. E teve o mérito de fazer jus a um dos homens que conseguiu unir num só movimento os grupos que já pensavam em conseguir a auto-determinação e independência do País mas que, divididos, estavam a encontrar barreiras difíceis de transpor e a adiar a emancipação de todo um povo.

A proposta de Francisco Rodolfo peca apenas por estar incompleta, a nosso ver.
Eduardo Mondlane foi o primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique. Só isso basta para que todos os moçambicanos se revejam nele que foi líder da marcha em que os nacionalistas das mais variadas tendências se uniram até se dividirem apenas com a extinção da Frente e com a consequente criação, sob a mesma sigla ou acrónimo, FRELIMO, do Partido Frelimo que passa a ter propósitos diferentes, abandona o princípio que até então vigorava, de inclusão, e passa a ter como desígnio servir apenas certas pessoas num claro esforço de exclusão dos que defendiam outras valências. Acabou tudo, como se sabe, com uma tremenda guerra civil.

Nessa epopeia pela união de todas as tendências políticas e ideológicas, numa única frente pela independência nacional – a Frente de Libertação de Moçamnbique – o sulista Eduardo Chivambo Mondlane não esteve só. Com Mondlane, no posto de vice-presidente da ex-Frente de Libertação de Moçambique, esteve também o Reverendo Urias Simango, um cidadão do Centro-Norte do país. E com Mondlane e Simango estiveram muitos outros heróicos combatentes das províncias mais próximas do Rovuma.
Concordamos plenamente que Eduardo Chivambo Mondlane tem perfil para que o seu nome seja atribuído ao Aeroporto Internacional de Maputo.

Concordamos, sobretudo pela dimensão da obra dele e de todos os que revistos nele uniram os moçambicanos no projecto pela auto-determinação e independência. Concordamos não apenas por Eduardo Mondlane em si, mas, sobretudo, pelo que nele se personificava. E concordamos mais do que tudo porque se está a propor um nome de alguém que não está vivo.

Estamos absolutamente contra a prática que se tem visto por aí de se dar a obras publicas o nome de alguém ainda sobrevivo. Quanto a nós são actos de verdadeiro culto da personalidade próprios de regimes totalitários e de mentes absolutistas. Opomo-nos abertamente a esses egocentrismos. E achamos que ficaria bem a isso também se passarem a opor todos os moçambicanos com bom senso. Culto da personalidade dá sempre errado. Acaba pela certa em DITADURA. Já vimos esse filme!…

Sabendo também que está para breve a inauguração da Ponte do Zambeze, entre Caia, na província de Sofala, e Chimuara, na província da Zambézia, ao concordarmos que se dê o nome de Eduardo Mondlane ao Aeroporto Internacional de Maputo, queremos também aqui deixar proposto que se dê a essa nova obra de arte e de grande engenharia o nome do Reverendo Urias Simango.

Quis o destino que a Ponte fosse construída em ambiente já de fraternidade, por cidadãos do ex-país colonizador e por moçambicanos já livres e senhores da sua terra. Para que isto fosse possível começou por contribuiu também Urias Simango, a secundar Eduardo Mondlane.

Urias Simango, note-se, não foi a peste que certos senhores pintam. Ele não foi só o primeiro vice-presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). O reverendo Urias foi também um dos obreiros da unidade nacional, até o começarem a perseguir por defender um regime como o que hoje temos em Moçambique, com características que quem o mandou matar, na época odiava mas hoje faz delas a sua bandeira já com os bolsos cheios de meticais e dólares, numa superior forma de capitalismo a que arrogantemente em tempos se opuseram os que acabaram por matar os que com eles discordavam.

Urias Simango foi ostracisado e vilipendiado apenas porque defendia um regime de economia de mercado e de respeito pelos direitos humanos. Defendia que a unidade só seria possível com respeito pela diversidade. Defendia o pluralismo e o direito à diferença. Defendia a tolerância. Hoje, já em liberdade, depois do Acordo Geral de paz em Roma, sem ameaças das armas e de insultos, já podemos falar dos seus feitos sem irmos parar aos campos de extermínio a que chamavam de “reeducação”.

O reverendo Urias Simango contribuiu tanto como Mondlane para a unidade que se julgou imprescindível à formação da Frente de Libertação de Moçambique. O seu defeito pode ter sido não ser marxista-leninista, mas esse defeito a história veio a julgar. Os que lhe viam tantos defeitos por isso hoje são das mais ricas e abastadas figuras do regime que vigora em Moçambique. Afinal é doce o pão que o diabo amassou!…
Não queremos levantar fantasmas. Queremos apenas dizer que os ideais de Urias Simango vingaram e o seu nome ficaria bem na nova ponte do Zambeze. Mas não só por isso. Não nos podemos esquecer que o reverendo não foi em algum momento preso pela Polícia Tanzaniana por suspeita de assassinato de Mondlane em casa de Betty King, como chegaram a ser Joaquim Chissano, Marcelino dos Santos e Pamela Santos. Foi até Urias que dirigiu as exéquias fúnebres do Presidente Mondlane.

Com o nome de Mondlane no Aeroporto de Maputo, a imagem de unidade ficaria para a eternidade a ser passada a todos nós e aos que nos visitam, defende Francisco Rodolfo.

Com o nome do Reverendo Urias Simango atribuído à nova Ponte do Zambeze – nesse grande rio que tanto nos orgulha – já que a outra ponte a montante, na Cidade de Tete, se chama Ponte Samora Machel, ficaria fechado o ciclo da reconciliação entre os moçambicanos. A unidade que hoje ainda tanta falta também nos faz, sairia reforçada.

Com esse gesto nobre, quem tem dirigido o país deixaria de continuar a ser visto como quem apenas sabe homenagear os heróis do Sul.

Moçambique ganharia muito com um gesto nobre dessa dimensão.
Se o presidente Armando Guebuza prescindisse de dar o seu nome ou o de Joaquim Chissano à nova ponte do Zambeze e optasse por aproveitar o momento para ele próprio se redimir dos erros graves de que foi cúmplice no passado relativamente a Urias Simango, só sairia a lucrar com isso.

Se o actual chefe de Estado tiver a coragem de dar o nome de Urias Simango à ponte do Zambeze, quando ele morrer certamente que a história o lembrará para sempre. Se lhe faltar força para isso, talvez a ponte do Zambeze um dia venha a ter de mudar de nome. A reconciliação fica adiada.

Os gestos de quem hoje promova a reconciliação farão de quem os assuma, alguém sublime. Estamos cá para ver o que se segue.

(Z) 2009-02-19 06:24:00

Retirado do Canal de Mocambique

Wednesday, February 18, 2009

Subsídios para os que pensam em formar partidos

SR. DIRECTOR!

Em primeiro lugar recorrendo à autoridade académica do politólogo António José Fernandes, dizer que partido define-se como sendo organizações que lutam pela aquisição, manutenção e exercício do poder, têm, mais ou menos, um caracter histórico e duradouro. Existem várias perspectivas de explicação do surgimento de partidos, mas para o nosso propósito usaremos a perspectiva do politólogo Stain Rokkan, segundo a qual os partidos são resultados de clivagens políticas de vária ordem que são expressos na sociedade através de interesses e valores. Essas clivagens, que são resultados de interesses incompatíveis entre grupos, vão se enraizando devido à duração e formando a expressão histórica que permitirá criar uma base sólida de apoio.

Fique claro, toda esta explicação teórica de formação de partidos não dita os requisitos para criação de partidos políticos, mas pode ajudar a reflectir sobre os elementos que solidificam, sob forma de base, esse tipo de organizações, se é que realmente se pretende, não somente um partido, mas um partido com impacto social. Na prática, para o caso de Moçambique, a actual Constituição da República permite que indivíduos de forma organizada formem associações, incluindo partidos. Esse dispositivo constitucional de demonstração democrática é resultado de uma clivagem que, em certa medida, durou 16 anos e deu base histórica para a criação, essencialmente, de um partido político com impacto social a nível da estrutura social nacional – a RENAMO. Embora permitiu e, ainda, permite que outros partidos se formem, mas com pouca, se não nenhuma base histórica. Daí que o nosso sistema político seja dominado por apenas dois partidos, a FRELIMO e a RENAMO, infelizmente.

Pensando em Daviz Simango, uma figura já carismática lá para os lados de Chiveve (alargando-se para quase todo território nacional) e na possível criação de um partido político, diria que estamos perante um indivíduo capaz de liderar um partido (ou mesmo uma nação), mas sem subsídios suficientes e sem bases históricas da estrutura social para a criação do mesmo. Mesmo estando na situação de pressão das ex-bases da Renamo e de todo o apoio que recebeu e recebe a nível nacional, através das mais de 100 mil assinaturas para a criação de um partido, ainda não há condições sociais para esse fim.

É necessário que se deixe que os conflitos que fizeram com que Simango saísse da Renamo ultrapassem sua figura, para estarem a um nível mais abrangente. Reparem que todo o discurso está associado à figura de Simango. Tudo indica que este está a criar um partido porque não foi aceite de volta na Renamo. As bases estão a apoiar Daviz Simango porque a Renamo não acatou com suas exigências. Isso não é suficiente. Será que as bases vão deixar duma hora para outra, todo seu legado histórico e "político-identitário" associado à anterior organização política para apoiar um novo partido, que ainda não tem conteúdo para fazer parte da história! Bom, até podem fazer, mas por quanto tempo podem sustentar em caso de uma eventual derrota nas próximas eleições? Apesar da sua popularidade, que todos reconhecemos, e de ter sido o primeiro eleito independente em Moçambique, apenas estão criadas condições para ele liderar, em princípio o município, com mais tranquilidade. Mas ainda não há condições do mesmo criar um partido que esteja ao nível da sua popularidade e que tenha impacto capaz de enfrentar os dois principais partidos. Uma coisa é apoiar Daviz, outra é apoiar esse tal partido.

Os partidos políticos não podem ser resultado de simples clivagens políticas que envolvem indivíduos. Os partidos que são criados dependendo da figura de um indivíduo, que é, normalmente, o seu líder, não garantem solidez e correm o risco de serem temporários. É necessário que hajam motivos mais do que pessoais, é necessário que hajam clivagens (diferenças na forma de olhar para as coisas, de encará-las, de as solucionar) que se façam sentir na vida das pessoas, que representam os anseios de uma categoria considerável de indivíduos e que seja uma proposta e alternativa para o bem–estar da maioria populacional. Deve ter um carácter histórico que fundamente sua existência e sua manutenção. E não apenas associada à capacidade de liderança de um indivíduo e nem na honestidade da gestão das instituições dirigidas por este. Enfim, o partido não deve ser criado só porque existe alguém com capacidade para dirigir, devem existir razões mais profundas da estrutura social que sustentem a existência do mesmo.

S. Fredson Fadil

Saturday, February 14, 2009

Vamos ter um “quinto poder”? (Conclusão)

Retirado do Jornal Notícias

SR. DIRECTOR!

E, cá entre nós, assiste-se por via da internet, espectacularmente, um desfile de imoralidades, plágios e invasões à privacidade das pessoas, sem que isso represente uma preocupação. E perguntar-se-ia: quanto material académico ou intelectual do Dr. Carlos Serra, por exemplo (creio sem uso autorizado dele) e de outros bloguistas, já circulou furtivamente em “sites” individuais ou informais, por um simples capricho? Acredito que tanto, mas, tristemente abusando da facilidade criada por este e outros intelectuais de colocar ou compartilhar alguns saberes tecnico-científicos e novidades das realizações da sociedade, sempre a bem do desenvolvimento do país. Dá-se aqui o exemplo do Dr. Carlos Serra como um dos blogues mais procurados do país e no além-fronteiras. Publicidade a parte, também sou utente.

Maputo, Sábado, 14 de Fevereiro de 2009:: Notícias

Com a falta de livros no mercado nacional, sobretudo com a incapacidade ostentada pela maioria da população estudantil, incluindo a docente e intelectual, o recurso para a aquisição das publicações e saberes tecnico-científicos tem sido à cibernética, através de pesquisas na internet, mais concretamente. E essa busca não tem sido, em muitas vezes, regrada, com os plágios a vegetarem impunemente, tal como é impune hoje o negócio de música e outras produções artísticas e intelectuais. No plágio intelectual até nem se cita o autor, enquanto no musical aparecem lá as fichas técnicas pintadas e com timbre falsos, mas sempre em prejuízo do autor e das editoras.

É quase que unânime a afirmação de que a blogosfera é, actualmente, o parlamento para os que não se consideram representados nos verdadeiros parlamentos convencionais, isto é, parlamentos formais.

Portanto, a blogosfera é tratada como um fórum potencialmente idealizado para aqueles grupos identificados ou aderentes inconscientes fluírem as suas ideias e projectos jamais ou raramente sublinhados pelos políticos e pelos “media”, para o caso vertente. Os frequentadores da blogosfera partem do pressuposto de que podem esgotar “n” assuntos numa única manhã mais do que o verdadeiro parlamento pode esgotá-los em duas ou mais sessões ordinárias e extraordinárias juntas, porque no circuito dos blogues reina o informalismo e o directo ao assunto, mas tudo à volta dos temas que se julgam tocar mais directamente à vida quotidiana não só dos seus frequentadores, mas também, e sobretudo, da maioria do povo desfavorecido e sem voz. Às vezes, com temas sensíveis para a manutenção da ordem do Estado ou do poder político e da governação do dia. Sempre, e geralmente como característica, na presunção de que estão em discussão aqueles problemas que os legítimos representantes do povo no parlamento, por exemplo, não os tratam, não obstante serem assuntos mais candentes e imediatos da vida. Neste fórum, portanto, na blogosfera, de modo geral, os seus membros não estão rigorosamente identificados, sobretudo quanto a autorias e emissores das informações que nele veiculam. E é ponto acente de que na blogosfera reina a emoção, a solidariedade e, acima de tudo, o desabafo total de alguém que se acha indevidamente representado lá onde se tomam as principais decisões sobre a vida da sua comunidade ou do país. E deixa-se muita massa gasosa no ambiente, em jeito de provocação informativa, incluindo autênticas ratoeiras para a comunicação social, geralmente a distraída, que a pega como matéria noticiosa, não obstante carecer de fontes e credibilidade ético-comunicacional. Aliás, até nem é sempre uma desvantagem ultimamente o “quarto poder” recorrer ao “quinto poder” nos dias que correm, sobretudo nos espaços onde a liberdade de expressão e de Imprensa é ainda uma miragem ou é de difícil exercício. O avanço que as tecnologias de informação e de comunicação deram é nos possível nos dias que correm acedermos, voluntária ou involuntariamente, consciente ou inconscientemente a vários conteúdos informativos, muitas vezes de natureza propagandística, publicitária e de calúnia ou difamação. Algumas tocam directamente a vida dos utentes dos sistemas de informação e comunicação, os seus grupos sociais, as suas instituições ou empresas, comunidades, vidas privadas e públicas, e por aí fora. Outras nem por aí.

Recuando para o dia 5 de Fevereiro de 2008, face aos acontecimentos das cidades de Maputo e da Matola, referentes à crise de transporte urbano, facilmente podemos sustentar o quão é poderosa a blogosfera hoje, na totalidade da sua componente tecnológica de informação e de comunicação (TIC). No dia 4 de Fevereiro de 2008, os computadores conectados à internet, provavelmente, e o Short Message Service, o vulgo SMS (serviço de mensagens curtas) dos telemóveis foram capazes de provocar um vendaval público nestas duas cidades. Choveram mensagens por telemóveis, telefonou-se do fixo, foram reenviadas milhares e milhares de mensagens, apelando para um total boicote aos meios de transporte semicolectivo e estes a não se fazerem á rua sob o risco de sofrerem consequências inimagináveis, apelos para ninguém ir ao posto de trabalho no dia 5, etc., etc.. E deu no que deu, como todos soubemos e assistimos.

A mensagem do informal triunfou e, sobretudo, encontrou um terreno fértil, chamado Moçambique, incontrolado, ainda sonâmbulo no cômputo geral, em termos de legislação e de crimes cibernéticos. Foi a força da blogosfera, esse novo parlamento onde os frequentadores desconhecidos ou conhecidos entre si distribuem e discutem assuntos que acham mais importantes da sociedade, mas esquecidos pelos “media” e pelos detentores dos poderes. Este é apenas um exemplo do fenómeno da blogosfera. Podíamos também recordar a força que teve o telemóvel em 2006, aquando da passagem do sismo, cujo epicentro se localizou em Machaze, província de Manica. Em menos de 1 minuto o país e o mundo já sabiam do que tinha acontecido. Podíamos também recuar até aos recentes tristes episódios do mundo artístico do nosso país, desde as cenas pornográficas que circularam na blogosfera envolvendo artistas até considerados de craveira, as imagens sexuais adulteradas que invadiram os computadores e os telemóveis moçambicanos, e por aí fora.

Portanto, é facto para concluirmos que em Moçambique o fenómeno da blogosfera é também uma realidade e preocupante. É preocupante no sentido de que tudo está a acontecer à mercê de quem a frequenta, oficiosamente liberalizado ao expoente máximo da classificação. Mas nem com isso se pretende dizer que tudo o que circula nesse novo mundo comunicacional é imoral e inútil, pois, existem “blogs” (a verdadeira designação desses “sites” na versão inglesa) que são autênticas tábuas de salvação académico- intelectual e cultural para muitos que não têm capacidade económica para coleccionar publicações físicas ou adquirir conhecimentos partilhados a partir das ofertas de grupos intelectuais (e aqui voltaria ao exemplo do Dr. Carlos Serra, das blogspots Bantulândia, Macua, África, etc.).

A blogosfera está a ganhar terreno no campo comunicacional hodierno porque nesta as pessoas não têm vigilantes, portanto não sofrem censuras. Quando muito, são auto-censuras. É um espaço a que muitos líderes de países ou grupos económicos e políticos recorrem para espreitar o outro lado do discurso popular, dado que na blogosfera circulam desabafos que o próprio cidadão não consegue transmitir directamente a quem de direito ou ao seu legítimo representante político nos fóruns de tomada de decisão.

Tem o único objectivo de levantar um possível debate público que desague na resolução de problemas da sociedade em que se encontra inserido. O sistema de blogues é muito simples e barato, porque basta ter um computador ligado à rede da internet e angariar outros “conhecedores das matérias” com quem debater. Todavia, nem sempre é preciso angariar membros, pois eles surgem, mesmo que de forma inconsciente. Duvida-se é se tal “quinto poder” poderá mesmo triunfar em África, mais concretamente no nosso país, se partirmos do pressuposto de que mesmo lá no Ocidente a batalha não é assim tão fácil, porque muitas das coisas não passam de simples circulação de ideias de um para o outro, de forma desinteressada e informal, aliás, informal tal como é actualmente a própria blogosfera. Oficialmente, e num passo bastante avançado no uso da blogosfera, já estão a funcionar os Yo-tube, quer por porta-vozes oficiais quer por chefes de estado ou responsáveis religiosos na emissão das suas mensagens consideradas importantes, porque estes são mais sofisticado, em que ao mesmo tempo combinam a voz e a imagem e com o emissor identificado. É mais um meio de comunicação de massas.

Mas a ideia da criação do tal poder substituto dos actuais “media” e a febre de preocupação não é assim tão recente como pode parecer, pois, em 2003, o director do jornal francês, “Le Monde Diplomatique”, Ignacio Ramonet, propôs a criação de um “quinto poder”, alegando haver um acentuado descrédito do actual “quarto poder”, visto como corrompido pelos poderes instituídos. Na visão de Ramonet, os actuais meios de comunicação social (MCS), os clássicos, são um instrumento de acção dos demais poderes, sobretudo o económico. O Director do “Le Monde Diplomatique” propunha ainda a criação de um observatório internacional dos “media”, isto é, uma “Global Media Watch”, de modo a tornar a comunicação e a informação pertencentes a todos os cidadãos. Mas esta visão, tal como recorda o luso Vital Moreira, e muito bem, já era efectiva antes da criação dos blogues, e não obstante fazendo-se sentir, às vezes, inconscientemente.

É o debate que já se lançou no mundo e, se calhar, também em Moçambique. Daí a pergunta vácua: Teremos no futuro um “Quinto Poder”? )
JAFAR BUANA - Jornalista (colaboração)

Thursday, February 12, 2009

Por causa da fome: População exige demissão do administrador em Mogincual

A POPULAÇÃO do posto administrativo de Namige, distrito de Mogincual, em Nampula, exige a demissão do respectivo Administrador, Oliveira Rareque. Em causa está a alegada apatia face à insegurança alimentar que afecta cerca de 40 mil habitantes daquela região costeira.
Em consequência da fome, nove pessoas perderam a vida entre os meses de Outubro e Novembro, ao consumir tubérculos como alternativa.

Namige foi a região mais flagelada em toda costa da província de Nampula pela passagem do ciclone “Jokwe” em Março último, facto que ditou o fracasso da campanha agrícola. Os habitantes que se alimentam de mangas e de vários tubérculos venenosos, não encontram outro culpado senão o administrador distrital, Oliveira Rareque, alegadamente, pela demora que se regista na prestação de assistência alimentar para socorrê-los da difícil situação em que se encontram mergulhados.

Alguns habitantes ouvidos pelo “Notícias” consideram que o Governo distrital tem andado alheio ao problema da fome que afecta a região, pois, poderia lançar pedido de apoio junto dos seus parceiros visando a mobilização de recursos, o que ainda não foi feito.

Relatam que desde a ocorrência do primeiro óbito, o mês passado, por consumo de tubérculos venenosos, o executivo distrital liderado por Oliveira Rareque, não enviou nenhum técnico ao terreno por sua iniciativa, senão quando da ida de uma equipa multissectorial integrando quadros do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), em Nampula, Agricultura e Acção Social, que fez recomendações no sentido de apoiar numa primeira fase os idosos por serem os mais afectados pela fome.

César Tembe, delegado provincial do INGC em Nampula, disse que o levantamento efectuado apurou que as causas da fome em Namige não derivam de uma calamidade e por conseguinte a sua instituição deixa de ter um papel relevante no socorro dos necessitados senão a Acção Social e Agricultura, esta última na providência de insumos.

Daudo Mussa, chefe do posto administrativo de Namige, disse, no entanto, quando contactado telefonicamente a partir de Nampula, que nenhum apoio alimentar proveniente de uma instituição governamental foi canalizado até à data aos necessitados, antevendo o agravamento da situação de insegurança alimentar nos próximos tempos na sua área de jurisdição.

O consumo de Nathia, um tubérculo típico da região costeira, é comprovadamente fatal se não forem cumpridos escrupulosamente os procedimentos para a sua preparação baseada na fervura por um período mínimo de duas horas e mais uma mergulhado num recipiente cheio de água, processo que visa eliminar o veneno característico.

Maputo, Terça-Feira, 2 de Dezembro de 2008:: Notícias

Monday, February 09, 2009

Segunda volta em Nacala - Porto: Há graves atropelos à lei eleitoral

(Maputo) O Observatório Eleitoral manifestou, semana finda, a sua inquietação em relação a alguns aspectos relacionados com a maneira e rumo que estão a tomar a tomar campanha e propaganda eleitorais da segunda volta, para a eleição do futuro presidente do município da Cidade de Nacala - Porto, cujo processo de votação é já nesta quarta-feira naquela circunscrição da província de Nampula.

Segundo esta organização cívica, a cidade de Nacala-Porto, tornou-se desde o inicio da campanha eleitoral desta segunda volta, num palco de autênticos atropelos à lei eleitoral e aos princípios mais elementares da convivência democrática e ética.

Agressões físicas, intimidação de cidadãos por pertenceram a um ou outro partido político, instrumentalização de crianças para lançar impropérios aos adversários políticos, campanha e propaganda eleitorais nas mesquitas e igrejas, uso das viaturas do Estado, destruição de materiais de campanha por parte de apoiantes dos dois candidatos, fazem parte das acções apontadas pelo Observatório Eleitoral como estando a perigar e a atropelar as leis democráticas. Estas acções perigam a paz, a segurança dos munícipes e a própria urbe.

Aquela organização, apela à Comissão Nacional de Eleições para que assuma o seu papel de fiscalizador do cumprimento da lei eleitoral e de todos regulamentos atinentes ao processo eleitoral e a sancionar todos os prevaricadores, como forma de desencorajar os actos praticados naquele município. Assim, vai-se permitir que todas partes tenham a mesma oportunidade de exercer o direito à campanha e propaganda eleitorais de foram pacifica e segura, pois todos têm os mesmos direitos. (Redacção

Fonte: Savana